1. “metropolis” (1927)

    (Fonte: peacefanclub, via iddavanmunster)

     


  2. Mas viver é assim mesmo, é todo mundo, é ninguém 

    é você e só.

    Cigarros acesos, sala cheia, pintura no armário  

    uísque vagabundo, música alta e poesia no vento envolto a fumaça, cinza arquejante, 

    Ruido, blues, tanta gente, ninguém mais

    Mas sabia, seria assim, sempre assim

    Enquanto o teu vive, tu vives na ilusão, ilusão tal de que vives profundamente ali dentro, 

    mas não, apenas vive dentro de si mesmo

    não não invasão, esse particular não te pertence aos poucos, patética

    Se desfaz? Devagar assim? e o coração aperta moça?

    Faz cara de bobalhona, não por mal eu sei

    Mas no escuros do quarto tua cara de patética bobalhona se mistura na escuridão, quem é você?

    Apenas lágrimas e nada mais. são lágrimas, são só suas de mais ninguém

    o teu íntimo não se mistura, não deixa que te misture nada disso tem importância. 

    Abra o olho patética, com essa cara de louca, fazendo da dor algazarra pondo máscara achando ser menos patética sendo

    Deixe viver, afastar um pouco se jogar no trabalho que não te dá prazer algum pode ser bom, deixe de se importar tanto

    a vida vem e vai como uma gangorra as vezes para é assim

    O mundo particular do outro não esta aberto para o seu se encostar

    Vá colorir, vá desenhar com lápis e olhos, vã trabalhar menina patetica, vá para dentro do teu mundo e deixe 

    a particularidade do outro ser vivida e só

    não seja patética

    aurora

     

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  5. Anjos

     


  6. Se as coisas são inatingíveis… ora!
    Não é motivo para não querê-las…
    Que tristes os caminhos, se não fora
    A presença distante das estrelas!
    [Mario Quintana]

     


  7. Pinto a mim mesmo porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor.
    -Frida Kahlo

     


  8. “Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade.”
    Frida Kahlo

     


  9. Eu vou mal e irei pior ainda mas aprendo pouco a pouco a ser só, e isso já é alguma coisa, uma vantagem, um pequeno triunfo.
    -Frida Kahlo

     


  10. O Cidadão Lúcido em Vez do Consumidor Irracional

    Já se sabe que não somos um povo alegre (um francês aproveitador de rimas fáceis é que inventou aquela de que «les portugais sont toujours gais»), mas a tristeza de agora, a que o Camões, para não ter de procurar novas palavras, talvez chamasse simplesmente «apagada e vil», é a de quem se vê sem horizontes, de quem vai suspeitando que a prosperidade prometida foi um logro e que as aparências dela serão pagas bem caras num futuro que não vem longe. E as alternativas, onde estão, em que consistem? Olhando a cara fingidamente satisfeita dos europeus, julgo não serem previsíveis, tão cedo, alternativas nacionais próprias (torno a dizer: nacionais, não nacionalistas), e que da crise profunda, crise económica, mas também crise ética, em que patinhamos, é que poderão, talvez — contentemo-nos com um talvez —, vir a nascer as necessárias ideias novas, capazes de retomar e integrar a parte melhor de algumas das antigas, principiando, sem prévia definição condicional de antiguidade ou modernidade, por recolocar o cidadão, um cidadão enfim lúcido e responsável, no lugar que hoje está ocupado pelo animal irracional que responde ao nome de consumidor. 

    José Saramago, in ‘Cadernos de Lanzarote (1994)’

     

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