1. Dorme, que a Vida é Nada!Dorme, que a vida é nada! 

    Dorme, que tudo é vão! 

    Se alguém achou a estrada, 

    Achou-a em confusão, 

    Com a alma enganada. 

    Não há lugar nem dia 

    Para quem quer achar, 

    Nem paz nem alegria 

    Para quem, por amar, 

    Em quem ama confia. 

    Melhor entre onde os ramos 

    Tecem docéis sem ser 

    Ficar como ficamos, 

    Sem pensar nem querer, 

    Dando o que nunca damos. 

    Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”

     


  2. O Amor é um Acidente, uma Renúncia, um Hábito, uma Maldição O amor é um acidente.

    Eu estava sentada no regaço de uma mulher de cobre, uma escultura de Henry Moore, e Bill debruçou-se sobre mim e beijou-me nos lábios. E de repente eu amava-o. Amava-o e só isso importava. Reparei nas mãos dele, mãos de pianista. Mãos preparadas para o amor. Ainda hoje gosto de lhe ver as mãos enquanto folheia um livro, enquanto lê um jornal. As mãos dele envelheceram, envelheceram a apertar outras mãos, milhares de outras mãos, a jogar golfe, a assinar autógrafos e documentos importantes. Envelheceram, sim, mas continuam belas. Continuam a excitar-me. 

    O amor é uma renúncia. Amar alguém é desistir de amar outros, é desistir por esse amor do amor de outros. Eu desisti de tudo. A partir desse dia dei-lhe todos os meus dias. Entreguei-lhe os meus sonhos, os meus segredos, as minhas convicções mais profundas. Não me queixo! 

    Não sou ingénua nem estúpida. Quando digo que o amor é uma renúncia, quero dizer que foi assim para mim. Para Bill foi sempre uma outra coisa. Eu sabia que ele reparava noutras mulheres, e que outras mulheres reparavam nele. Um homem feio, com poder, é quase bonito. Um homem bonito, com poder, é quase um Deus. 

    Apesar da minha educação cristã, ou por causa dela, sempre me recusei a viver sujeita à ameaça do pecado. As grandes indústrias vêm tentando convencer-nos de que é possível tirar o veneno ao prazer e ficar apenas com o prazer: café sem cafeína, cerveja sem álcool, cigarro sem nicotina - amor platónico. Quanta estupidez. Quem bebe café procura a exaltação da cafeína. Quem pede uma cerveja numa tarde de sol quer refrescar o corpo, sim, mas também quer soltar o espírito. Se é para pecar quero o pecado inteiro. 

    Bill teve o seu castigo. Tivemos os dois. Foram dias difíceis, foram noites ainda mais difíceis, mas passaram. Uma manhã acordei e já não tinha lágrimas. Noutra manhã acordei e já não o odiava. Finalmente acordei e estava de novo abraçada a ele. 

    O amor é um hábito. Como acham que cheguei até este dia? Foi o amor que me trouxe. Maldito seja. 

    José Eduardo Agualusa, in ‘A Educação Sentimental dos Pássaros ‘

     

  3.  


  4. Quando penso na morte, também penso que os laços poderiam ficar silenciosos no fundo da gaveta, não existir

    intactos

    desfazer(não há como)

    não fazer mais laços

    sumir

    esquecer.

    Aurora

     

  5. (Fonte: saintevergreen, via demenina)

     


  6. sossegue coração
    ainda não é agora
    a confusão prossegue
    sonhos afora
    calma calma
    logo mais a gente goza

    perto do osso
    a carne é mais gostosa

    (leminski)

     

  7. tatteredcover:

    Charlie Chaplin reading in bed

    (via gaiasghost)

     

  8. teachingliteracy:

    donnawatsonart:

    Rice Boy Sleeps, Iceland

    (Fonte: vkinna, via gaiasghost)

     

  9.  

  10.  

  11.